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Oi mostra reestruturação. Sindicatos alertam: fim da empresa e empregos

15/07/2020 - 13h43 - Sinttel-ES - Redação
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O presidente não falou de demissões. Mas a Federação emitiu uma nota alertando que os empregos estão sob ameaça de morte.

Rodrigo Abreu, CEO do Grupo Oi, assumiu o cargo em 31 de janeiro de 2020

Como fez aos investidores e ao mercado na segunda-feira, o presidente da Oi, Rodrigo Abreu, passou a manhã desta terça-feira, 17/06, falando por teleconferência com os empregados das mudanças estruturais do grupo. Por cerca de duas horas e respondendo a perguntas que os “colaboradores” fizeram por um canal de whats App, o presidente apresentou a proposta ousada e ambiciosa para acelerar o crescimento e viabilizar a maior empresa de infraestrutura do Brasil de forma sustentável, vendendo a mais rentável das empresas do grupo, a telefonia móvel, até o final de 2020.

A Federação Livre de Trabalhadores em Telecomunicações no Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Rondônia, emitiu uma nota pública, afirmando que a apresentação do Plano Estratégico de Transformação da Oi é um engodo, pois a intenção dos gestores é fatiar a empresa, esquartejando-a.

“O planejamento estratégico de transformação da companhia, revelado em detalhes esta semana pelo presidente da Oi, expõe de forma cristalina o modelo já definido – e divulgado por nós desde o final do ano passado – de fatiamento e venda dos ativos na bacia das almas. Simplesmente se desfaz da operação móvel e, mesmo a “nova” empresa resultante do esquartejamento, terá seu capital alienado.”

É preciso destacar que o presidente está vendendo um peixe que ainda não foi pescado. Será necessário que todas as mudanças almejadas sejam aceitas pelo Juízo da 7ª Câmara Empresarial do Rio de Janeiro e depois submetidas à votação da nova Assembleia Geral de Credores, prevista para agosto. Aí o aditamento com a mudanças ao Processo de Recuperação Judicial (PRJ) voltará para a Justiça carioca para a homologação do documento final, podendo sofrer ajustes nos termos, condições e medidas previstas, esclarece o presidente do Sinttel-ES, Nilson  Hoffmann.

Ou seja, é um longo caminho. E pelo que se viu até agora, a empresa já se prepara para as mudanças não só no discurso de convencimento aos empregados, investidores, credores, clientes e fornecedores, mas nos estudos que possam dar segurança às ambiciosas propostas.

Sob o título de Vamos Fortalecer a nossa Conexão com o Futuro, o presidente não falou em demissões. Garantiu, porém, que, dentro das mudanças anunciadas haverá migração de trabalhadores de uma empresa para outra dentro do mesmo grupo, sem que se perca as garantias e direitos hoje estabelecidos nos Acordos coletivos.

A Federação Livre não acredita que diante das mudanças propostas não haverá demissões.

Com isto, os 12.000 empregos diretos e os 50 mil indiretos estão sob ameaça de morte. Estimamos que caso este plano dos coveiros da Oi seja levado a cabo, demissões ocorrerão aos milhares.

Falando de maneira suave como  “num bate papo” e sempre destacando o empenho e a capacidade dos times de vendas e de instalação que, em abril conquistaram 1 milhão de clientes na Fibra Ótica, batendo recordes, tudo pareceu muito positivo. Entretanto, para os sindicatos, os gestores querem  “levantar o mais rápido possível capital que possam remunerar os fundos abutres que controlam hoje o conselho de administração da empresa. Simples assim!”

Sabemos que a Oi é uma empresa privada e que seus acionistas podem se desfazer de suas posições e vender sua participação no mercado. Mas que o façam em bloco. Vendendo a empresa por inteiro, não esquartejando-a e demitindo a torto e a direito, diz a nota da Federação Livre.

O CEO destacou que, em 2016, com a aprovação do PRJ, a empresa lutava pela sobrevivência, mas que precisa de sustentabilidade de longo prazo . “Até aqui – se referindo a 2020-, a Oi conseguiu estabilizar suas operações, redefinir seu modelo estratégico e encontrou recursos para uma forte aceleração do negócio da fibra ótica. A reorganização estrutural dará capacidade de investimento, gerar receita e caixa”.

Rodrigo apresentou a visão de futuro. Sindicatos editam nota pública:

Mas, segundo ele é preciso focar no crescimento, voltar a ser líder no mercado, com um estratégia de ganhos para os clientes e o setor, gerando valor e confiança para os empregados, credores, acionistas, fornecedores e a sociedade em geral. O presidente garantiu que a diretoria e o Conselho de Administração estão empenhados em executar o novo modelo estratégico com rigor e velocidade.

Por outro lado, a Federação Livre avisa que haverá resistência:

A Federação Livre e seus sindicatos se opõem firmemente a esta tentativa de detonar a empresa e faremos o possível para impedir que os abutres e os coveiros consigam seu intento!

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