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Paralisação na Procisa busca piso salarial e condições de trabalho

16/07/2026 - 17h59 - Sinttel-ES - Tânia Trento | Jornalista | Reg. Prof. 0400/ES
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Na manhã desta quinta-feira 16/07, trabalhadores na Procisa, prestadora de serviços para a Claro, fizeram uma paralisação de advertência, de forma espontânea, com o apoio do Sinttel-ES. Os técnicos ficaram na base da empresa, em Vela Velha, até às 12 horas. A grande insatisfação tem origem em vários problemas no local de trabalho, na intransigência em pagar um piso e benefícios dignos. É um alerta às empresas, que não se tocam que o movimento está crescendo e chegará em todo o Estado.

Trabalhadores na Procisa fizeram uma paralisação espontânea por melhores condições de trabalho e um piso salarial digno como têm os colegas de São Paulo e Santa Catarina

A negociação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) nas empresas terceirizadas, contratadas pelas operadoras,  se arrasta desde maio, data base de renegociação. Uma das empresas que está atravancando esse processo de discussão é a PROCISA. Desde maio que o Sinttel-ES vem tentando construir uma proposta com o Sinstal. Já abriu mão de reivindicações como o pagamento do auxílio condutor, tíquete integral nas férias e até do piso de R$ 2.100,00. Mesmo assim as negociações não avançam.

Segundo o diretor do SINTTEL-ES, Reginaldo Biluca, as prestadoras agem como Robin Hood, só que às avessas. “Ao invés de enfrentarem as operadoras e demonstrarem que os contratos precisam de reajustes, elas mendigam. Daí tiram seus lucros nas costas dos trabalhadores. Enquanto isso, a Vivo, a Claro, a Tim, a Nio, a V.tal faturam milhões”, afirma o diretor.

“Essas gigantes da telefonia utilizam-se da terceirização para lucrar, enquanto precarizam a vida de centenas de milhares de técnicos de campo, que instalam, consertam e constroem redes de infraestrutura do setor” , destaca Reginaldo.

Proposta para a CCT

O Sindicato já abriu mão de reivindicações importantes para os trabalhadores, isso para tentar acelerar a negociação mas não avança e a insatisfação dos trabalhadores só cresce. O Sindicato patronal (Sinstal) é fraco e não consegue dar à negociação o caráter de responsabilidade e respeito aos milhares de trabalhadores precarizados.

Problemas na Procisa

Salário de miséria, próximo do mínimo. Hoje eles recebem R$ 1743, 91, pouco mais, cerca de 6% acima do Salário Mínimo que é de R$1.620,00. A empresa paga para técnicos em São Paulo e Santa Catarina muito mais. Mas há uma evidente discriminação para com os capixabas.

O Sinttel teve uma reunião com os representantes da Procisa, mas a proposta pouco evoluiu para atender às reivindicações. Avançou para o tíquete nas férias que hoje é de R$250 e a empresa topou pagar R$ 519,00. Mas o reajuste de 4,11% (INPC do período) só evoluiu para 4,50%.

“Para os trabalhadores isso não compensa. Em janeiro quando o Salário mínimo tiver um reajuste, os técnicos estariam recebendo um valor bem próximo do salário mínimo”, explicou Reginaldo.

Calor insuportável no almoxarifado

Desde que a empresa ocupou o galpão na Avenida Carlos Lindemberg, no bairro de Cobilândia em Vila Velha,  que o calor afeta os trabalhadores. A Procisa colocou ventiladores barulhentos no local, que não resolve o problema do calor a inda atormenta todos com o barulho. Os ventiladores jogam a temperatura escaldante sobre as cabeças dos trabalhadores.

A geladeira quebrada

Na cozinha, havia uma geladeira com problemas. A empresa deu uma solução e colocaram para funcionar, mas não consertaram. Muitos trabalhadores almoçam neste local e precisam da geladeira, que não funciona a contento.

Estacionamento rotativo

É uma situação em que o trabalhador empresta dinheiro para a empresa.  Ele paga o rotativo e só recebe trinta dias depois. Ou seja, empresta dinheiro para a empresa, sem juros. O ressarcimento só vem com 30 dias.

A empresa não paga o auxilio condutor e se o técnico não tiver o dinheiro para pagar o rotativo, vai ser multado  e a empresa cobra a multa do técnico.

Recentemente o Sinttel-ES teve que intervir numa outra empresa com o mesmo problema. A solução encontrada foi o supervisor pagar o estacionamento via aplicativo de forma remota. O técnico manda a localização e ele paga.

Recursos Humanos que não fala com o empregado

A Procisa fez uma mudança no sistema de Recursos Humanos e os trabalhadores não estão conseguindo acessar o Contracheque. O RH da empresa está centralizado em São Paulo  e uma reclamação constante é que os trabalhadores não têm acesso direto com a administração da empresa. Tudo é feito por e-mail e chamado eletrônico, o que na maioria absoluta das vezes ou não é respondido ou demora muito. Não tem um ponto focal no ES. São 5.500 funcionários em vários estados, acessando  RH ou por e-mail ou chamado eletrônico. É burrice, economia, tô nem aí pro peão?

Com relação aos contracheques, a Procisa, informou ao Sinttel-ES que  vai imprimir todos os contracheques e apresentar individualmente o que foi pago, o que pode ser compensado.

Técnico sem o adicional de periculosidade

Técnico em treinamento – Traineer, não recebe periculosidade. O Sinttel lembra que a partir do momento que o treinamento é externo, prático, onde o trabalhador terá que subir no poste de energia, tem que pagar o adicional de periculosidade.

Condições de usos dos carros

Os trabalhadores reclamam que os veículos da empresa têm pneus careca, sem triângulo, sem estepe e ar condicionado que não funciona.

O sindicato orientou aos trabalhadores que se o carro que foi designado para ir a campo estiver com os itens de segurança: pneu careca, sem triângulo, sem estepe, não deve sair do pátio. O diretor Reginaldo Biluca informou que o trabalhador pode usar o DIREITO DE RECUSA previsto na legislação trabalhista e não sair com o carro. Deve fazer um documento para o departamento de frota informando que o veículo não tem condições de uso.

Se o gestor obrigar o trabalhador a usar um veículo sem os itens de segurança, além de colocar em risco a vida do trabalhador, estará sujeito à infração de trânsito. O trabalhador deve imediatamente comunicar ao Sindicato.

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