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Militantes encerram greve de fome após adiamento da votação da Reforma da Previdência

13/12/2017 - 11h38 - Sinttel-ES - Redação
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Grupo informou que seguirá em alerta contra mobilização do governo ilegítimo

Chegou ao fim, na tarde da última quinta-feira (14), a greve de fome dos seis militantes que estavam alojados na Câmara Federal, em Brasília, em protesto contra a reforma da Previdência. Eles tomaram a decisão após o anúncio oficial feito pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de adiar a votação do texto para fevereiro do próximo ano. O protesto durou ao todo dez dias.

O dirigente Bruno Pilon, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), considera que o adiamento é uma vitória do campo popular. “É um exemplo de que a luta de classes funciona, de que a luta do povo organizado derruba qualquer força”, completou.

O grupo anunciou, no entanto, que seguirá em alerta contra as articulações da base aliada para colocar a reforma em votação.

“Nós consideramos um passo importante — não ainda uma vitória — o adiamento da votação dessa reforma, que só interessa ao mercado e aos grandes investidores e banqueiros”, disse o frei gaúcho Sérgio Görgen, que estava entre os grevistas.

A grevista Rosangela Piovizani, dirigente do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), exaltou a luta feminina e destacou a importância da Previdência social para o segmento das mulheres, que passou a ser reconhecido como classe trabalhadora rural somente após a Constituição Federal de 1988.

“Nós conseguimos esses direitos com muita luta, muita mobilização, muito ato, muito abaixo-assinado. Não podemos permitir que a Constituição e os nossos direitos sejam rasgados dessa forma, ferindo a nossa dignidade e a nossa soberania como classe trabalhadora”, bradou.

Mobilização nacional

A decisão do grupo de encerrar o protesto teve um efeito dominó nas demais regiões do país. Ao todo, mais de 40 pessoas estavam em greve de fome em outros sete estados. No Rio Grande do Sul, por exemplo, eram 17 trabalhadores do campo e da cidade.

O grupo reunia membros da Igreja; do MPA; do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST); e da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Quatro deles estavam em greve há quatro dias e os demais há 29 horas.

O dirigente do MPA Maister da Silva, que estava na coordenação do ato, ressaltou que o grupo representa o conjunto da sociedade e que seguirá em sintonia com o movimento nacional de combate à reforma.

“Nós queremos que todo trabalhador tenha o direito de se aponsenatr conforme está previsto na Constituição de 1988, que foi uma batalha já muito dura”, disse.

Por se tratar de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), a reforma da Previdência precisa de 308 votos para ser aprovada pelo plenário da Câmara. O governo marcou a data de votação para o dia 19 de fevereiro.

Matéria – dia 12/12/17

8º Dia de Greve de Fome: começam a aparecer os sinais de debilidade

Há mais de uma semana, camponeses do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) estão em greve de fome na capital federal contra a reforma da Previdência e os primeiros sinais de debilidade começam a ser diagnosticados, como dor de cabeça e estômago, fraqueza e dificuldade de locomoção.

Ronald Wolff, médico que acompanha os 7 grevistas em Brasília, diz estar muito preocupado com o estado de saúde de alguns grevistas que já se encontram no 8º dia de greve. “Começam a apresentar alguns sintomas já preocupantes”, afirma o doutor. Que ainda questiona, “será que vai ser preciso agravar a saúde de um frei e de uma mulher lutadora para que os representantes do povo brasileiro se sensibilizem e comecem a compreender o que é que está em jogo?”.

Ao mesmo tempo, outros locais do país iniciam greves do fome, como é o caso de Sergipe, que tem 4 militantes do MPA em greve de fome na Câmara LegislativaSamuel Carlos, Elielma Barros, José Valter Vitor e Eliana Sales. E, no município de Canguçu (RS), mais 4 companheiros iniciaram greve de fome nesta segunda-feira, 11: Lucas Pinheiro, Rosane do Amaral e Marlei Sell do MPA, e Celis Madri, do Sindicato dos Municipários de Canguçu (SIMCA).

Para hoje, 12, além de Brasília, Canguçu, Sergipe e Rondônia, já se confirmam greves de fome, Dia de Fome, vigílias, atos e ações de denúncia da reforma da Previdência em SC, RS, SE, ES, RO, BA, PI, PE, e AL. Todos contra a reforma da Previdência que se aprovada irá forçar milhões de brasileiros a passarem fome.

Mensagem de solidariedade à greve de fome das companheiras e do companheiro do MPA

A greve de fome em Brasília iniciou no dia 5 de dezembro, anunciada durante Audiência Pública que debatia sobre o quanto a reforma da Previdência irá afetar os trabalhadores do campo. Na ocasião, também foi confirmada a informação que os rurais estão sim inclusos na reforma da Previdência, ao contrário do que o relator da reforma, Arthur Maia (PPS-BA), havia veiculado na semana anterior há audiência.

Durante a Coletiva de Imprensa realizada na tarde dessa segunda-feira, 11, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) anunciou que a Greve de Fome não apenas segue, como será intensificada, até enterrarmos a reforma da Previdência, disse Charles Reginatto. Para o Movimento, a Greve de Fome significa que alguns passarão fome por alguns dias para evitar que muitos passem fome uma vida inteira.

Portal IHU – A reportagem originalmente foi publicada por Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA 12/12/2017

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Maia diz que deixará Presidência para votar a favor da reforma da previdência

Ele foi ao encontro de ativistas que fazem greve de fome dentro da Câmara contra a reforma da Previdência e disse que vai acelerar discussões

Portal da Câmara dos Deputados – 12/12/17 – 21h19 | Atualizado: 12/12/17 – 22h31

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, visita trabalhadores que fazem greve de fome contra a reforma da Previdência – Givaldo Barbosa / Givaldo Barbosa/Agência O Globo

BRASÍLIA — O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que quer votar a reforma da Previdência na próxima terça-feira, mas ressaltou que, se isso não for possível, fará a votação em fevereiro. Maia surpreendeu e foi ao encontro de ativistas que fazem greve de fomedentro da Câmara contra a reforma da Previdência. Maia disse aos grevistas que seu trabalho é acelerar as discussões e definir o mais rapidamente possível se será votado na terça-feira ou apenas em fevereiro. E anunciou que, quando for votado, vai deixar a Presidência e marcar o seu voto a favor da reforma. Geralmente, o presidente da Câmara não vota.

— É claro que não posso tomar uma decisão baseada na greve de fome. Respeito. Vamos ter que decidir se vamos pautar ou não este ano. O que posso é acelerar um pouquinho esse meu trabalho para que a gente tenha uma data definitiva: se vai ser este ano ou não. Vou tentar acelerar minha decisão, posso tentar tomar uma decisão para que se possa votar no início da semana que vem ou no início de fevereiro — disse Maia, aos grevistas.

Em seguida, Maia disse que está fazendo todo o possível para votar dia 19.

— Eu, inclusive, pretendo, neste caso da Previdência, sair da Presidência na hora da votação e dar o meu voto. Quero votar semana que vem. Se tiver voto. Nossa intenção é que a gente possa votar este ano. Seria muito importante que tivéssemos os 308 votos para votarmos na próxima terça-feira. Mas se não tivermos os 308 votos, vamos fazer uma construção para que a gente possa voltar aqui em fevereiro e votar a matéria. Essa matéria precisa ser votada e ser aprovada. Só ser votada é ruim para o Brasil. Então, vamos construir a maioria. A gente sabe muito bem quantos votos têm hoje, quantos votos se projetam ter na próxima semana e, por enquanto, ainda faltam votos. Se na próxima semana faltarem votos, vamos deixar isso para o início de outro mês (fevereiro), talvez dando mais tempo para que a gente articule

Maia negou que o DEM vá fechar questão. Ele disse que o partido dará o maior número de votos.

— Acho que teremos um número muito grande de deputados do Democratas votando — disse Maia.

Ele cumprimentou e conversou com o grupo de manifestantes, que estão ficando dentro da Câmara.

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