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Crise financeira da Oi provoca demissões em massa no Rio

25/01/2020 - 6h31 - Sinttel-ES - Redação
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Cerca de 800 trabalhadores de manutenção de rede foram demitidos neste ano; medida afeta diretamente o consumidor

A maioria dos trabalhadores afetados pela medida são técnicos de rede, reparadores e cabistas que ganham de R$ 1,3 mil a R$ 3 mil - Créditos: Foto: Socorro Andrade

A maioria dos trabalhadores afetados pela medida são técnicos de rede, reparadores e cabistas que ganham de R$ 1,3 mil a R$ 3 mil / Foto: Socorro Andrade (SinttelRio)

O ano começou com demissões em massa na área de telecomunicação. Cerca de 800 trabalhadores da empresa Serede Telecomunicações, prestadora de serviço da operadora Oi, foram demitidos no Rio de Janeiro. Os ex-funcionários atuavam principalmente na área de manutenção de rede e a medida tem impacto direto no atendimento à população.

Ao todo, o número representa 10% dos trabalhadores da Serede, que pertence a Oi. Ao longo do ano passado, 1 mil trabalhadores já haviam sido demitidos. O alto número de desligamentos evidencia a crise vivida pela operadora. De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Rio de Janeiro (SinttelRio), Francisco Izidoro, a maioria dos trabalhadores afetados pela medida são técnicos de rede, reparadores e cabistas que ganham de R$ 1,3 mil a R$ 3 mil. Segundo Izidoro, houve dificuldade de negociação com a empresa devido à nova legislação trabalhista.

“Tínhamos um precedente normativo do TST [Tribunal Superior do Trabalho] muito importante que obrigava as empresas a negociarem com os sindicatos em caso de demissão em massa como esse que ocorreu. Infelizmente, com a reforma trabalhista de 2017 essa obrigatoriedade das empresas negociarem caiu e isso foi reconhecido pelo TST. Só nos resta pressionar as empresas que fazem  demissão em massa, como o caso da Serede, a negociar alguma coisa”, relata.

O sindicato conseguiu realizar negociações em casos de pessoas com licença-maternidade, pré-entrada no pedido de aposentadoria e situações de trabalhadores que possuem problemas de saúde ocasionados pela atividade laboral. De acordo com Izidoro, a negociação com a empresa tem avançado, principalmente para aumentar a chance de recolocação profissional.

“Nessa negociação, é importante a gente destacar que conseguimos também garantir junto à empresa que ela dará prioridade, em caso de novas contratações, a esse grupo que foi demitido e por isso estamos constituindo um banco de profissionais para a recolocação. Também conseguimos garantir cursos, principalmente na área de fibra ótica que é uma novidade no setor e atualização tecnológica para esses trabalhadores”, explica.

A terceirização na área de telecomunicação impôs também a obrigatoriedade para que os profissionais da área de manutenção tenham carro próprio para conquistar um posto de trabalho. A empresa paga um aluguel mensal para que o funcionário agregue o veículo ao serviço. Segundo Izidoro, muitos dos demitidos não sabem como irão pagar o financiamento do carro.

“Muitos trabalhadores foram contratados pela empresa no ano passado e ela cobrava desses profissionais que tivessem carro para agregar. O que acabou acontecendo é que muitos trabalhadores conseguiram, com dificuldade, dar entrada no carro já que tinham a expectativa de ter um aluguel para pagar a prestação. Esses trabalhadores assumiram uma dívida como essa e foram demitidos. Essa é uma questão que levamos para a empresa, mas ainda não conseguimos uma solução”, salienta o diretor.

Rescisões começaram na quarta, 22, e estão sendo feitas dentro do Sindicato, num acordo feito com a  empresa, já que a reforma trabalhistas desobriga as empresas a fazerem as rescisões com a fiscalização dos Sindicatos. Mas, é nesse momento que muitas irregularidades são encontradas e os trabalhadores ficam mais protegidos quanto aos seus direitos trabalhistas.

Brasil de Fato tentou contato com a Oi que responde pela Serede, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno.

Ouça o áudio:


Jaqueline Deister Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ), Edição: Mariana Pitasse


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