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Lula livre abre caminho para fortalecimento e união da esquerda

11/11/2019 - 17h32 - Sinttel-ES - Redação
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À Rádio Brasil Atual, cientista político avalia como necessidade a articulação das forças progressistas, diante da ascensão
do conservadorismo, a começar pelas eleições municipais no próximo ano

 

TVT/REPRODUÇÃO – Deputado Marcelo Freixo (Psol), que acompanhava pronunciamento de Lula do palanque, já confirmou candidatura no Rio, que pode ter como vice a deputada Benedita da Silva (PT)

São Paulo – Para o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta sexta-feira (8), após o STF julgar inconstitucional a prisão após sentença em segunda instância – antes de esgotados todos os recursos legais para que o réu prove inocência – , permitirá maior diálogo entre os partidos que compõem o chamado campo da centro-esquerda e da esquerda no país, como PT, Psol, PCdoB e PSB, entre outros, que devem aproveitar a figura de Lula para fortalecer candidaturas conjuntas nas eleições municipais do próximo ano. “(O diálogo) não só facilita, como é uma questão de necessidade”, alerta Ramirez, que é também professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo Paulo, em entrevista ao jornalista Glauco Faria, da Rádio Brasil Atual. “Diante dos fenômenos mais conservadores que estão acontecendo no Brasil, a união dos partidos de esquerda se torna algo necessário.”

Já se especulava, diz o analista, que as legendas partidárias estariam se articulando para enfrentar com união o próximo pleito, mas foi durante o pronunciamento do ex-presidente neste sábado (9), em São Bernardo do Campo, que as expectativas ganharam força. Para alguns, a cena do deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ) na linha de frente do palanque, acompanhado no lado oposto, quase que na mesma posição, pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ), antecipou uma possível chapa para a prefeitura do Rio, por exemplo.

À revista CartaCapital, o deputado cravou sua candidatura à prefeitura da cidade fluminense, que terá uma coligação inédita entre  PT, PV e, possivelmente, Rede e PCdoB. De acordo com o site, a posição de vice – para a qual se cogita a participação da deputada Benedita – ainda não foi confirmada. Movimentações semelhantes, do PT abrindo até mão de candidatura própria para apoiar outros nomes dos setores progressistas, são apontadas em Porto Alegre e outras cidades.

De acordo com o cientista político, a tendência é que o PT esteja à frente da criação de uma bandeira de esquerda ainda mais ampla, como demonstrou o próprio Lula. Para Ramirez, essa é uma estratégia coerente diante dos riscos à democracia representados pelo presidente Jair Bolsonaro.

“Em torno da figura de Bolsonaro, a tendência que a gente tem é a de que centenas de prefeitos podem ser eleitos por conta dessa influência, de uma visão reacionária, retrógrada e contrária aos direitos humanos”, avalia. “No próprio discurso do Lula nesse sábado surgiu um elemento novo dentro desse debate, pelo menos nas mãos de Lula, que é promover candidatos eleitos com claro objetivo de combater as milícias e reduzir, portanto, a violência angariada por esses grupos (…) que  provavelmente tenham sido os responsáveis pela eleição de Bolsonaro.”

LULA LIVRE

Toda atuação de Moro contra Lula deve ser anulada, diz jurista

Advogada Martír Silva avalia que mesmo o processo do sítio em Atibaia, que o ex-juiz deu andamento, mas não julgou, deve ser anulado

   

Foto EBC/LULA MARQUES – Jurista considera que nenhum processo contra Lula que teve atuação de Moro está livre de perseguição e parcialidade

São Paulo – Integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), a advogada Martír Silva defende que toda os procedimentos do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, em processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem ser anulados. As duas condenações do ex-presidente, nos chamados casos do triplex de Guarujá e do sítio em Atibaia, tiveram participação direta de Moro.

“Os dois processos, um porque foi até o final e o outro, porque tramitou em grande parte sobre a presidência de Moro. Todas as partes em que ele atuou como juiz devem ser anuladas, voltando o processo para a fase inicial e conduzido por outro juiz, que garanta todas as devidas condições processuais”, afirmou.

Para Martír, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de declarar inconstitucional a prisão após julgamento em segunda instância não é suficiente para livrar o ex-presidente de todas as arbitrariedades promovidas pela Operação Lava-Jato contra ele. Por isso é fundamental a decisão sobre o pedido de habeas corpus (HC) feito pela defesa de Lula, para declarar a suspeição de Moro.

“A decisão sobre ele é vital para o direcionamento do processo que envolve o presidente Lula. Essa suspeição vai definitivamente caracterizar o tribunal de exceção que se estabeleceu contra o ex-presidente Lula, a perseguição jurídica”, explicou, em entrevista ao jornalista Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual.

O ministro do STF Gilmar Mendes pediu vista do pedido de HC no final de junho. Embora não tenha data para ser julgado, o próprio ministro chegou a dizer que o julgamento seria realizado ainda em novembro. A jurista avalia, no entanto, que há uma situação de “anormalidade jurídica” no país e é preciso que defensores do estado democrático de direito mantenham atenção sobre o HC. “Não é o fato de Lula ter sido liberado na sexta-feira e isso ter sido um ato de justiça da aplicação do direito, que vai garantir a condução correta do processo no julgamento do HC”, afirmou.


Rede Brasil Atual 13:58


 

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