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Acidentes na Telemont preocupam trabalhadores e Sindicato

06/04/2016 - 17h41 - Sinttel-ES - Redação
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Ano passado, ocorreram 13 acidentes com afastamentos na empresa. Esse ano já aconteceram dois.

O próximo dia 28 de abril é lembrado pelo “Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho”, instituído em razão de um acidente que matou 78 trabalhadores em uma mina nos Estados Unidos em 1969.
O Brasil é o campeão absoluto em acidentes de trabalho no mundo. A cada ano, ocorrem centenas de milhares de acidentes do trabalho em todo o mundo. Contudo, esses números representam apenas uma pequena parte da realidade, pois se referem unicamente aos trabalhadores vinculados à Previdência, não incluindo os servidores públicos estatutários. Além disso, não consideram os milhões de trabalhadores informais e os autônomos.

Em 2013, último ano em que foram apresentadas estatísticas de acidente no trabalho pelos Ministérios da Previdencia Social (MPS) e do Trabalho e Emprego (MTE), ocorreram no Brasil 717.911. Porém, se voltarmos para o ano de 2007, quando começou a divulgação do Anuário de Acidentes de Trabalho, e somarmos todos os sete anos, esse número é de 5 milhões de vítimas, com 19,5 mil mortos e 101 mil inválidos.

Essa situação, segundo a Fundacentro – autarquia federal que estuda a segurança no trabalho -, é uma epidemia. Os técnicos da Fundacentro fizeram uma comparação com a Dengue. Entre 2007 e 2013 foram registrados no Brasil 5,3 milhões de casos de dengue, número equivalente aos acidentes de trabalho. Menos letal, a doença matou 3.331 pessoas, média de 475 por ano, contra 19.478 óbitos no trabalho, ou 2.780 por ano – os 720 mil acidentes anuais ainda deixam 14,5 mil inválidos permanentes. Cabe lembrar que, ano após ano, o combate à dengue mobiliza todo o país, um esforço que não se vê no combate aos perigos no trabalho. Os acidentes de trabalho matam seis vezes mais do que a dengue, doença sazonal que em todo verão impõe aos brasileiros o medo em escala epidemiológica.

Mais de um acidente, com afastamento, por mês

Voltando para a realidade capixaba, no trabalho que é desenvolvido por trabalhadores/as terceirizados/as na Telemont, empresa que presta serviços na planta externa da Operadora Oi, o levantamento das Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) com afastamento, emitidas pela empresa de fevereiro/2015 a fevereiro /2016, mostra que 15 trabalhadores foram vítimas de acidentes. (Veja tabela)

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Você acha pouco? O Sinttel-ES afirma que não é. “As razões que levam a esses tristes números revelam a face cruel das relações Capital X Trabalho. As exigências, as cobranças por metas e resultados inatingíveis e os baixos salários nem sempre são contabilizados pelos empresários como causas, mais que evidentes, para que ocorram tantos acidentes. Em quase 100% dos casos de acidentes ocorridos na Telemont, o próprio acidentado, a vítima, é culpabilizada pelo ocorrido”, destaca o presidente do Sinttel-ES, Nilson Hoffmann.

A prática da terceirização, processo predatório e exploratório a que muitos trabalhadores de Telecomunicações estão sujeitos, não economiza esforços em busca da lucratividade e produtividade. E a jornada é desgastante, há a pressão por metas a serem cumpridas, o que acarreta normalmente na extensão da jornada. O trabalhador é acionado por computador ou celular, a partir do momento em que acessa o sistema. Neste caso, a empresa controla a jornada, onde muitas vezes o trabalhador encerra seu expediente, mas, pela pressão da produtividade, continua no local de trabalho para finalizar o serviço. “Devido a isso, em cada dez casos de acidente do trabalho ocorridos no Brasil, oito são registrados em empresas terceirizadas”, disse Marcelo da Silva Gomes, diretor de base do Sinttel.

A pretexto de aumentar a produtividade com um quadro de pessoal insuficiente, vidas são tratadas como meras estatísticas, a legislação é desrespeitada e as mortes se sucedem, resume o diretor de formação do Sinttel-ES, Vanderlei Rodrigues.
O médico do trabalho Elver Andrade Moronte vê a banalização dos acidentes de trabalho no Brasil, como se fossem algo natural às atividades econômicas. Para ele, o país precisa ver isso como um problema de saúde pública e estabelecer políticas públicas para reduzir os riscos aos trabalhadores. Ele diz que os membros superiores são os mais vulneráveis porque as máquinas usadas não têm as proteções adequadas. E pode piorar.

O perigo está tramitando na Câmara dos Deputados. É o projeto de lei do deputado Sílvio Costa (PSC-PE) que pretende extinguir a Norma Regulamentadora NR 12, um conjunto de regras criadas em 1978 e que, em 2010, ampliou de 40 para 340 os itens obrigatórios a serem cumpridos para garantir a segurança e a integridade física dos trabalhadores que operam máquinas e equipamentos de todos os tipos. A NR 12 cobra a adaptação do maquinário já existente.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a adequação do parque industrial brasileiro à NR 12 custaria R$ 100 bilhões, seja para micro ou grandes empresas. Para o deputado federal Bebeto Galvão (PSB), líder sindical, isso representa um golpe para a classe operária. O setor empresarial alega não querer reduzir em nada a segurança dos trabalhadores, mas sustenta que a norma traz um impacto econômico inviável ao setor produtivo.


Denúncia no Whatsaap

O Sinttel acompanha os acidentes em tempo real. Os/as diretores/as informam os acidentes pelo telefone, por meio do aplicativo de celular para o grupo do sindicato. O último acidente ocorreu no dia 25/02/2016.

“[18:09, 25/2/2016] +55 27 99703-XXXX: Queiser acidentou hoje por volta das 14:30 estava fazendo uma instalação. Ancorou à escada na parede da casa para colocar o FE, a escada correu para traz e ele saltou, se protegeu da queda colocando as mãos no chão. Fraturou as duas mãos.
[18:11, 25/2/2016] +55 27 99703-XXXX: Acidente de trabalho aqui em Linhares hoje”.


dedosUm milhão dedos perdidos

Os dedos das mãos são os órgãos do corpo mais vulneráveis entre os trabalhadores. Os brasileiros mutilam ou incapacitam 135 mil deles todos os anos em acidentes de trabalho. A soma chega a um milhão de dedos perdidos no período de sete anos, analisado pela reportagem nos anuários estatísticos da Previdência Social. O número tende a ser maior, considerando que um único acidente pode amputar mais de um dedo.

O braço é a segunda parte do corpo mais atingida em acidente de trabalho, com 50 mil ocorrências por ano. Em seguida aparece o pé, com 41 mil registros anuais, depois vem as mãos com 40 mil casos, as pernas com 38 mil e a cabeça com 22 mil notificações. Esses casos não significam que necessariamente tenha havido a amputação desses membros. As demais partes do corpo somam 390 mil acidentes por ano.

Contribuíram com informações:
Sinttel-ES e matéria veiculada em 15/06/2015 no Jornal on line Gazeta do Povo http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/especiais/acidentes-de-trabalho-no-brasil/index.jpp (acesso em 16/03/2016)

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