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A impunidade é mãe da exploração dos/as trabalhadores/as

28/08/2017 - 9h53 - Sinttel-ES - Redação
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A JUSTIÇA NO BRASIL NÃO É IGUAL PRA TODOS.

Essa frase não é um jargão simplesmente. É uma realidade. Em todas as famílias da classe média baixa até a base da pirâmide populacional, principalmente composta de negros, mulheres, gays e pobres tem, pelo menos, um exemplo pra contar de injustiças sofridas. No nosso país,  que tem a elite mais burra e escravocrata do mundo, “O pau que dá em Chico, não dá em Francisco”. Lembrando que o Chico é aquele cidadão desprovido de direitos e garantias sociais ou que não pode pagar bons e influentes advogados para  sua defesa, como faz o Francisco, geralmente branco, formado em uma universidade pública, abastado de família e que defende a meritocracia, já que tem tudo para “vencer na vida”.

Esse sentimento de impunidade para uns e de punição para uma maioria pobre, negra, semianalfabeta, assalariada tem ficado mais evidente após o Golpe Político que tirou a presidenta Dilma. Tudo o que veio depois, com a posse do ilegítimo Michel Temer, em pouco mais de um ano, reflete esse estupro com a democracia. É aquela máxima: “Se o caras tiraram um presidenta eleita com mais de 54 milhões de votos, agora tudo podem”.

É como se as pessoas não acreditassem nelas mesmas. Há uma paralisia. E nós vamos nos envergonhar desse momento, por não fizemos nada para impedir as reformas Trabalhista, Política, Previdenciária, Privatização das empresas públicas e a Terceirização sem limites. Isso até agora, porque ainda não temos conhecimento até onde esses deputados e senadores  serão capazes de ir para prejudicar a classe trabalhadora do Brasil, impondo retrocessos, miséria, fome, desemprego, prejuízos, aumento de impostos, retirada de direitos sociais e trabalhistas e sem direito a uma aposentadoria digna.

E por mais que os 400 deputados federais (tem 513 na Câmara) e 60 senadores (tem 81 no Senado) aprovam todos esses projetos que somente favoreceram empresários, latifundiários, banqueiros, rentistas, industriais, gente rica, que não precisa dessas medidas, pois visam somente a acumulação de lucro, mesmo porque já são ricos, nada acontece contra tais representantes do povo. Eles ferram com o povo e ficam impunes. Fazem leis para si próprios e a sociedade fica de boca aberta, sem uma reação. Levantem-se brasileiros. Eles vão tirar-lhes as calças.

Por outro lado, temos a Operação Lava Jato, que completou 3 anos e não prendeu ninguém do PSDB. Um juiz parcial, que condena sem provas, que conduz coercitivamente sem antes intimar, que mantém a Prisão Preventiva como tortura para obter confissões, desde que tenham a palavra Lula. Também foi delatado pro vender redução de pena.

 

 

Excelente texto:

Não haverá 2018

Folha de São Paulo, 25/8/17

No Brasil, toda a reflexão e ação política parece atualmente ter os olhos única e exclusivamente voltados para o ano de 2018.

Como se o país pudesse voltar a uma normalidade mínima depois de ficar dois anos nas mãos de um ocupante do lugar de presidente da República com perfil mais adaptado a trabalhar em filmes de aprendiz de gângsteres e com aceitação popular zero, de um Congresso Nacional composto de indiciados e oligarcas e de um Poder Judiciário exímio em operar com decisões completamente contraditórias de acordo com os interesses imediatos do juiz que julga.

No entanto há de se trabalhar com uma hipótese de grande plausibilidade, a saber, a de que 2018 não existirá.

A cada dia que passa fica claro que o Brasil está atualmente submetido a uma espécie de guerra civil capitaneada por aqueles que tomaram de assalto o Estado brasileiro contra os setores mais desfavorecidos da população. Sim, uma guerra civil silenciosa, mas tão brutal quanto as guerras abertas. Pois esta é uma guerra de acumulação e espoliação, de vida e de morte.

De um lado, um sistema financeiro com lucros inacreditáveis para um país que se diz em crise, sistema este com amplo controle das políticas do Estado. Junto a ele, a elite rentista do país com seus ganhos intocados, sua capacidade de proteger seus rendimentos de qualquer forma de tributação.

Na linha de frente, representando seus interesses, uma casta de políticos degradados que criam leis e usam deliberadamente o dinheiro público para se blindar, que mudam regras eleitorais para continuarem onde estão e defenderem os verdadeiros donos do poder.

Do outro, temos a massa da população empobrecida e agora submetida a um sistema de trabalho que retira o mínimo de garantias de segurança construídas nesse país, que faz aposentadoria se transformar em uma relíquia a nunca mais ser vista. Uma massa que sentirá rapidamente que ela tem apenas duas escolhas: ou a morte econômica ou a submissão ao patronato.

Junto a elas, a população que se vê humilhada da forma mais brutal por prefeitos que marcam crianças na escola para que elas não comam duas refeições, que violentam moradores de rua com jatos de água nos dias frios para que eles sumam, governadores que destroem a céu aberto universidades que não podem mais começar seu ano letivo por falta de verbas.

Toda essa população submetida a uma força policial que atira em manifestantes, invade reuniões públicas sem que nenhuma punição ocorra.

Seria suprema ingenuidade acreditar que esses que agora nos governam, esses senhores de uma guerra civil não declarada, esses mesmos que têm consciência absoluta de que nunca ganhariam uma eleição majoritária no Brasil para impor suas políticas aceitem ir embora de bom grado em 2018.

Quem deu um golpe parlamentar tão tosco e primário quanto o brasileiro (lembra-se das “pedaladas fiscais”? Quem mais foi punido neste país? Só o antigo governo federal dela se serviu?) não conta em sair do poder em 2018.

Só que há várias formas de 2018 não existir. A primeira delas e assistirmos uma eleição “bielorrussa”. Trata-se de uma eleição na qual você impede de concorrer todos aqueles que têm chance de ganhar, mas que não fazem imediatamente parte do núcleo hegemônico do poder atual. Caso essa saída não dê certo, teremos uma mudança mais radical da estrutura do poder, ou seja, uma eliminação da eleição presidencial como espaço possível de mudança.

Então aparecerá a velha carta do parlamentarismo: o sonho de consumo das oligarquias locais que veriam enfim seu acesso direto ao poder central. Pois não confundam o parlamento brasileiro com o sueco. Entre nós, o Congresso sempre foi a caixa de ressonância de interesses oligárquicos com seus casuísmos eleitorais.

Por fim, se nenhuma das duas opções vingar, não há de se descartar uma guinada mais explicitamente autoritária. Não, esta hipótese não pode ser descartada por nenhum analista minimamente honesto da realidade nacional.

Neste sentido, pautar todo debate político atual a partir do que fazer em 2018 é simplesmente uma armadilha para nos prender em uma batalha que não ocorrerá, para nos obrigar a naturalizar mais uma vez uma forma de fazer política, com seus “banhos de Realpolitik”, razão mesma do fracasso da Nova República e dos consórcios de poder que a geriram.

Melhor seria se estivéssemos envolvidos em um luta clara pela recusa dos modelos de “governabilidade” que nos destruíram.

vladimir safatle

É professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). Escreve às sextas.

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