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Negociações 2016: Reajustes salariais acima da inflação atingem o menor patamar desde 2003

12/04/2017 - 11h05 - Sinttel-ES - Redação
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O balanço das negociações salariais acompanhadas pelo DIEESE revelou que o resultado da negociação coletiva de 2016 foi um dos mais desfavoráveis para os trabalhadores, quando comparado com os reajustes dos últimos 20 anos.

Das 714 unidades de negociação analisadas pelo país em 2016, apenas 19% dos reajustes resultaram em ganhos reais aos salários, igualando à proporção mais baixa da série registrada em 2003. A frequência de reajustes abaixo da inflação atingiu o patamar de 37%, o que há muito tempo não se observava e 44% tiveram valor igual à variação do
índice da inflação.

Neste cenário, a variação real média registrada em 2016 foi negativa (-0,52%), algo que não ocorria desde 2003. Em 2015, a proporção de reajustes abaixo da inflação aumentou significativamente, assim como os reajustes iguais à inflação; e pouco mais da metade das negociações obtiveram aumentos acima da inflação. Em 2016, a situação se agravou.

O que afeta as campanhas salariais, segundo o DIEESE, é a grave crise econômica pela qual passa o país. Como mostram os dados recém-publicados pelo IBGE sobre o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, a queda no nível da atividade econômica foi geral e profunda. E os dados das pesquisas de emprego e desemprego (PED) do DIEESE e Fundação SEADE indicaram o preocupante aumento das taxas de desemprego e desocupação.

Um dos poucos fatores positivos da economia em 2016 foi a leve queda das taxas de inflação.Por isso, algumas categorias conseguiram ao menos recompor o poder de compra dos salários. Para parte dos trabalhadores que conseguiu manter-se empregada em 2016, a recomposição do valor real dos salários foi o melhor que conseguiram conquistar nestes tempos tão adversos.

A profunda recessão econômica pode ter sido fator determinante para a queda das taxas de inflação, conforme aponta o DIEESE. No entanto, trata-se do exemplo do remédio que, a custas de matar o paciente, dá a falsa impressão de debelar a doença. Enquanto tal cenário não for revertido, as negociações coletivas continuarão se dando em ambiente muito adverso aos trabalhadores.

Setores

O setor de serviços registrou a maior proporção de reajustes salariais abaixo da inflação em 2016. Quase a metade dos reajustes nesse setor (49%) não repôs as perdas salariais acumuladas desde a última data-base. No entanto, 21% das negociações do setor conseguiram aumento real – acima da proporção geral, portanto. Os demais 30% tiveram reajustes iguais à inflação.

A indústria e o comércio tiveram resultados semelhantes no tocante à proporção de categorias com reajuste igual à inflação (53% e 50%, respectivamente) e abaixo (31% e 29%, respectivamente). Em todos os setores, reajustes acima da inflação foram os menos frequentes.

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