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2010 não deixa saudades para os trabalhadores em telecomunicações

01/02/2011 - 8h49 - Sinttel-ES - Redação
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A campanha salarial de 2010, momento único – pela sua importância – não devolveu à categoria o que se perdeu ao longo dos últimos anos de privatização. Os resultados são tímidos, mesmo porque a mobilização dos trabalhadores/as, que fazia a diferença, também é pequena.

2010 deveria ter sido um ano menos difícil, para todos, afinal o Brasil enfrentou a crise de forma responsável. O Governo do Presidente Lula investiu ao invés de frear o crescimento.

O fato é que deu resultado até agora, mas os velhos Tucanos e Demos, pessimistas, ainda dizem que será a nova presidenta, Dilma Rousseff, que enfrentará o pior.

Se no Brasil, de uma forma geral a coisa fluiu, não podemos dizer o mesmo com as condições salariais e de trabalho nas empresas de telecomunicações, foco de atuação do Sinttel.

Operadores continuam impondo o arrocho

Mesmo faturando como nunca, todas as grandes operadoras Vivo, Claro, Embratel, Oi, TIM, GVT parecem ter, mais uma vez, combinado uma maneira única de tratar as negociações para as renovações dos Acordos Coletivos. Os discursos eram idênticos. Parecia até a época do Delfim Netto, como ministro das finanças dos governos militares: “ Temos que primeiro crescer para depois repartir o bolo”. O problema é que o bolo das empresas fica cada dia maior e parte dos trabalhadores – quando é dividida – é mínima. É só verificarem os números divulgados, e olhem que ainda falta o último trimestre. Teve empresa que até admitiu que o problema dela não é a falta de dinheiro. A questão era que o bolo não poderia ser diminuído. Ou seja, para os investidores tudo e para os trabalhadores nada.

E o que obtivemos foram salários com reajustes menores do que a inflação, pouco ou quase nada de reajustes nos benefícios e uma dificuldade de negociação cada ano mais profunda. Os trabalhadores de um modo geral ficam na expectativa de receberem antecipações de 13º salário, PPR e outras verbas. As mobilizações muitas vezes ficam prejudicadas. Desta forma, as empresas conduzem as negociações para um desfecho sempre desfavorável aos trabalhadores.

Para 2011 as expectativas giram em torno do que poderá acontecer com a unificação das operações da Vivo com a Telefônica, da Embratel com a Claro e com a entrada da Portugal Telecom na Oi.

Precarização continua nas terceirizadas

Por outro lado, a precarização nas atividades terceirizadas pelas operadoras, se aprofunda cada vez mais. A Embratel acaba de terceirizar as atividades de TI (Tecnologia da Informação) sem garantir as mesmas condições para os empregados que migraram para a empresa contratada. Na Oi a entrada da Telemont substituindo a Gecel, reduziu em cerca de 40% os postos de trabalho, mas as condições de trabalho só pioraram.

A entrada da Huawei na Vivo também não modificou o quadro já existente de muita cobrança e excesso de trabalho.

A GVT, não tá nem aí para os desmandos cometidos pelas suas contratadas de rede. Na verdade tem plena conivência, como fazem as demais, garantindo desta forma os seus lucros cada vez maiores.

As contratadas, por sua vez, dizem que a culpa é dos contratos cada vez mais arrochados, e que com isso não conseguem melhorar as condições. Ora, se é tão ruim porque aceitam as condições que lhes são impostas? É muito cômodo para elas tratarem desta forma. E olhem que não estamos falando somente de empresas modestas. São grandes grupos como Nokia Siemens, Huawei, Telemont, que têm até atuação mundial.

Resistir e enfrentar novos desafios

São vários desafios a serem superados. Buscamos garantir que os trabalhadores terceirizados tenham, no mínimo, as mesmas condições dos trabalhadores das contratantes.

Para isso será necessário entre outras coisas exigir que os deputados e senadores discutam e aprovem as propostas em tramitação no Congresso Nacional, que tratam da regulamentação do trabalho terceirizado e da Convenção 158 da OIT, e que acabariam com a demissão imotivada e a crescente rotatividade da mão de obra. Além disso, a redução da jornada de trabalho, como propõe a CUT, também precisa ser aprovada criando a possibilidade de geração de mais empregos.

De nossa parte cabe também cobrar do governo estadual e federal mais investimento em educação e qualificação profissional, tendo em vista o crescimento que está sendo previsto para o país.

É urgente ter trabalhadores mais qualificados, obtendo desta forma melhores salários e condições de trabalho.

Caberá a todos nós, do segmento dos movimentos organizados, estarmos à frente para que as nossas necessidades sejam atendidas e que os avanços até agora conseguidos sejam aprofundados no governo de Dilma Rousseff.

 

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