Inaceitável
CLARO em primeira marcha. Acordo não avança com proposta medíocre
Comissão da Federação LiVRE rejeitou proposta precarizadora do Grupo Claro e exigiu respeito na mesa de negociação e aos/às trabalhadores/as.
- Sinttel-ES - Tânia Trento | Jornalista | Reg. Prof. 0400/ES

A direção do Grupo Claro Brasil parece ignorar a dedicação e o esforço de seus trabalhadores. Após sucessivos adiamentos e muita enrolação para avançar nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025-2027 — cuja data-base foi em 1º de setembro —, a empresa finalmente apresentou uma proposta econômica. O veredito da bancada sindical não poderia ser outro: a proposta é inaceitável e não será levada para a assembleia de decisão, pois representa um verdadeiro ataque ao bolso da categoria.
Enquanto concorrentes diretas do setor de telecomunicações demonstram agilidade e valorização profissional — como a TIM, que já teve seu Acordo Coletivo aprovado pela categoria garantindo reajustes expressivos e conquistas históricas como o fim da escala 6x1, e a Vivo, que segue com rodadas de negociação avançadas —, a Claro patina na primeira marcha e tenta empurrar um pacotaço de perdas e exclusões.
Proposta medíocre
A empresa tenta disfarçar a falta de aumento real com o artifício do abono linear — uma tática que já virou "mania" nas operadoras, mas que esconde prejuízos graves a longo prazo por não incidir sobre férias, 13º salário e FGTS. Pior ainda: os índices apresentados ficam abaixo da inflação oficial (INPC), achatando o poder de compra de quem gera o lucro bilionário do grupo.
Confira o que a Claro quer que os trabalhadores aceitem:
• Reajuste Salarial e de Pisos: Apenas 2,8% e, para deboche total, só a partir de fevereiro de 2027 (jogando o ganho para o ano que vem e deixando os meses anteriores no prejuízo).
• Auxílio Alimentação: Correção de 3,5% prevista apenas para janeiro de 2027.
• Abono Linear: R$ 1.000,00 pago logo após a assinatura do acordo, tentando silenciar as perdas salariais acumuladas.
• Benefícios (Creche/PCD): Correção de 3,98% em Auxílio Creche/Educação/Babá e PCD a partir de janeiro de 2027.
• Quebra de Caixa: Reajuste irrisório de 3,5% para janeiro de 2027.
• Ausências Justificadas: Casamento e falecimento alterados para 3 dias úteis.
• Fim da Escala 6x1 e introdução da Escala 5x2: A Claro alega estar fazendo um "piloto" e pede tempo para avaliar o impacto, postergando o direito à qualidade de vida.
PPR 2026: Privilégios para poucos
No relatório da reunião do PPR 2026, a postura excludente da Claro ficou ainda mais nítida. A empresa modificou as regras unicamente para adicionar gerentes e cargos Sênior que antes não estavam contemplados. Para o restante dos trabalhadores da base, absolutamente nada mudou. A Comissão de Negociação da Federação LiVRE que reúne os Sinttels AM, ES, MA, PE, RJ e RO não tolerarão essa política que privilegia o topo enquanto ignora a base produtiva.
Empréstimo de Férias: Pela unificação de direitos!
A bancada sindical cobrou firmemente a isonomia nos benefícios. Os trabalhadores oriundos da antiga Claro possuem o direito ao Empréstimo de Férias, enquanto os companheiros vindos da Net e da Embratel continuam excluídos. Exigimos o fim dessa divisão interna: direitos iguais para funções iguais!
A Luta Continua!
Na tarde de hoje, às 14h, os representantes sindicais entram novamente em sala virtual com a Claro. O recado está dado: não aceitaremos migalhas nem reajustes abaixo da inflação. A Claro tem tamanho, mercado e lucros robustos. Chega de enrolação! Exigimos uma proposta digna que possa ser apresentada com orgulho na assembleia dos trabalhadores.













