FRACASSO
BrasilCenter propõe 3,90% de reajuste, parcelado e exclui os REPs
- Sinttel-ES - Tânia Trento | Jornalista | Reg. Prof. 0400/ES

Com um atraso de quase dois meses, a negociação do Acordo Coletivo na BrasilCenter não deu em nada. A proposta da empresa foi totalmente rejeitada pelo Sindicato, uma vez que o reajuste colocado foi de parcelar o INPC (3,90%) — sendo 2,5% em junho e 1,4% em setembro —para os salários acima do Piso de REPs e nos demais benefícios. O que deixa de fora grande parte dos trabalhadores. Um fracasso total dos representantes do Grupo Claro, Natanael, Jota, Liliana e Andrea Nacario. Próxima reunião agendada para dia 10 de março.

Pela proposta da Brasil Center, os Reps Especializados receberiam o reajuste de 2,5% em junho sobre os salários de Dez/2025 que era R$ 1.568,10. O que daria R$ 1.607,30. Como já recebem salário mínimo, ficariam assim até agosto. Em setembro, teriam mais 1,4% e aí o salário chegaria a R$ 1.629,80. Ou seja, receberiam R$ 8,25 a mais que o mínimo durante apenas 4 meses (set a dez). É visível a tentativa de golpe da BrasilCenter de reduzir o piso dos REPs Especializados igualando aos dos REPs. A empresa chora, alega que somente no ES, dentro todas as empresas de call center do Grupo, o piso salarial do REP Especializado é maior que o salário mínimo.
A proposta é uma vergonha!
A reunião começou com os representantes do Grupo Claro e da BrasilCenter felizes, ressaltando a alegria dos trabalhadores com o pagamento do PPR/2025 de 0,6 salários no dia 13 de fevereiro, antes do Carnaval. Como se o Sindicato não soubesse da estratégia: Os trabalhadores ficam felizes com o PPR e aí a empresa começa a negociação do Acordo Coletivo com uma proposta medíocre.
O presidente do Sinttel-ES, Nilson Hoffmann, fez questão de criticar o atraso da negociação, uma vez que todas as empresas de call center do ES já fecharam acordos coletivos e já reajustaram os salários. A data base era abril e foi antecipada para janeiro, justamente para não permitir que a BrasilCenter fizesse o que está fazendo. Rebaixando os salários, pagando salário mínimo a quase todos os empregados e empregadas. O sindicato não aceita parcelar o reajuste pelo índice do INPC. Se a empresa oferecer um reajuste maior, que contemple aumento real, o Sinttel-ES vai consultar a categoria.
Reoneração da Folha de Pagamento, principal argumento da equipe de negociação da empresa
Durante 14 anos, o governo federal desonerou da folha de pagamento das empresas. O programa foi criado no governo Dilma Rousseff, inicialmente para setores de tecnologia e comunicação e substituiu a contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha por alíquotas bem menores sobre a receita bruta das empresas. O objetivo da presidenta era aliviar a carga tributária, estimular o desenvolvimento de setores específicos e incentivar o emprego formal. Em 2014 a medida foi ampliada e passou a contemplar 17 setores da economia. E a BrasilCenter passou esses 14 anos economizando a contribuição ao INSS e não destinou nada para melhorar a renda dos empregados. Já teve mais de 2 mil trabalhadores e hoje reduziu para 1.400 os postos de trabalho.
Agora o governo federal resolveu cobrar novamente a contribuição, só que de forma gradual até 2028. E a equipe de negociação usa esse argumento para dizer que a BrasilCenter não tem margem financeira para valorizar seus trabalhadores. Onde foi parar o dinheiro que a empresa economizou durante 14 anos?
Nilson fez questão de lembrar as principais reivindicações enviadas em dezembro e ignoradas pelo o gerente de Relações Trabalhistas, Fabiano Guimarães:
- Reajuste salarial acima do INPC (3,90%), que é a inflação registrada no ano de 2025, para todos os salários;
- Aumento real do VA/VR (tíquete), pois R$ 15,91 (6 horas) era o mais baixo entre todas as empresas já no ano passado. Imagina agora, passados dois meses em que as outras já reajustaram? Na Sollo, o menor tíquete é de R$ 19,00, na Comunica R$ 22,00, Annellus R$ 19,62 (em 2025), por exemplo;
- Tíquete nas férias, que também já está garantido para trabalhadores em quase todas as empresas, menos na Brasil Center e na Comunica
- Aumento do PPR, pois esse target (prêmio) de 60% do valor do salário nunca avançou
- Aumento real para todos os demais benefícios, como auxílio creche, filho PCD.
- Discutir em 90 dias o fim da escala 6x1, como já está sendo adotada no call center da TIM para os trabalhadores do apoio, do suporte. É preciso começar a pensar como será feita, pois o fim da escala 6x1 já está sendo discutida no Congresso Nacional. E vai bater na porta da BrasilCenter!
- Recuperar a diferença salarial do Rep Especializado, pois quando foi criado em 2017 chegou a ser de R$ 74 reais em 2019. Ao longo de sete anos, a empresa arrochou e reduziu para zero essa diferença. Hoje pela proposta da empresa, todos recebem igualmente salário mínimo.
EIS A PROPOSTA:
PISO SALARIAL para os REPs
- R$ 1.621,00
▪ PISO SALARIAL dos REPs ESPECIALIZADOS
- Reajuste de 2,5% em junho/2026 sobre os salários de dez/2025 —>R$ 1.607,30 Reajuste de 1,4% em setembro/2026 —> R$ 1.629,80
▪ DEMAIS SALÁRIOS
- Reajuste de 2,5% em junho/2026 sobre sobre o valor do salário de 31/12/2024 +
- Reajuste de 1,4% em setembro/2026
▪AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO (VA/VR) –
- Reajuste de 2,5% em junho/2026 sobre sobre o valor praticado em 31/12/2024 +
- Reajuste de 1,4% em setembro/2026
- Para carga horária diária de 6h: Junho R$ 16,30 — Setembro R$ 16,53
- Para carga horária diária de 7:12h: Junho R$ 19,42 — Setembro R$ 19,69
- Para carga horária diária de 8h: Junho R$ 33,57 — Setembro R$ 34,04
▪ DEMAIS BENEFÍCIOS:
Auxílio Creche: Junho R$ 653,24 — Setembro R$ 662,38
Educação Especial: Junho R$ 868,29 — Setembro R$ 880,45
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