SEM ANISTIA PARA GOLPISTAS
2 anos da tentativa de golpe tem ato pela DEMOCRACIA
- Sinttel-ES - Tânia Trento | Jornalista | Reg. Prof. 0400/ES

Em Vitória, as manifestações em defesa da DEMOCRACIA e para lembrar a derrota do Golpe Político, acontecem nesta quarta, 8 de janeiro, às 17h30, na Praça Costa Pereira, no Memorial dos Mortos e Desaparecidos Capixaba pela Ditadura Militar (1964-1985).
Sem Anistia para os Golpistas e Ainda Estamos Aqui — O Sinttel-ES convida os trabalhadores nas empresas de Telecomunicações do ES a participarem das manifestações que estão programadas em todo o país para relembrar a tentativa de golpe político da extrema direita, ocorrida no dia 8 de janeiro de 2023, que pretendia assassinar o presidente eleito, Luis Inácio Lula da Silva, o seu vice Geraldo Alkmim e o presidente do TSE à época e hoje do STF, Alexandre de Moraes, para tomar o poder, em Brasília com o apoio de militares das forças armadas e implantar uma nova ditadura.
8 de Janeiro: Não esqueceremos
Texto de Tereza Cruvinel - Brasil247


"Há dois anos vivíamos o dia mais sombrio da era democrática pós-ditadura. O 8 de janeiro não foi apenas uma ação violenta e sem objetivo claro, perpetrada espontaneamente pela multidão convidada pelas redes sociais para a “festa da Selma”. Isso é o que dizem hoje os bolsonaristas, num esforço para minimizar a gravidade dos fatos que levarão muitos deles à prisão, inclusive Bolsonaro. O que houve foi uma tentativa de “abolição violenta do Estado de Direito” para reverter o resultado de uma eleição limpa e livre. Uma tentativa de golpe que nunca esqueceremos.Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto. Foto: Agência Brasil
Esquecendo, estaríamos admitindo a repetição de insurreições golpistas no futuro. Nesta quarta-feira vamos recordar o 8 de janeiro com mais veemência do que no primeiro aniversário, quando houve apenas um ato no Congresso que, embora muito representativo, foi uma manifestação das instituições. A sociedade, perplexa, não foi às ruas repudiar a intentona logo depois do ocorrido, nem fez isso na passagem do primeiro aniversário.
Hoje, além de uma solenidade no Planalto, para a qual o presidente Lula convidou representantes do STF e do Congresso, teremos a sociedade civil abraçando a Praça dos Três Poderes, e um ato público em Araraquara, onde o presidente Lula estava naquele dia, a trabalho, enquanto a turba vandalizava o palácio presidencial, a sede do Legislativo e do Judiciário. As 21 obras de arte do Palácio que foram destruídas, inclusive o precioso relógio suíço, foram todas restauradas e serão recolocadas nos salões do Planalto.
Golpistas destruindo a praça dos Três Poderes, no 8 de janeiro de 2023. Foto Agência Brasil
Passados dois anos, uma pesquisa Quaest nos diz que 86% dos brasileiros condenam o acontecido. Devemos celebrar isso, mas trabalhando para que este repúdio seja mais concreto e se torne unanimidade, bandeira de todos e não só da esquerda. Quando isso acontecer, não haverá espaço para candidatos e partidos que representem ameaça à democracia. Hoje, apesar dos 86%, este espaço ainda existe e ainda é largo.
Não vamos esquecer que eles planejaram nos impor uma nova ditadura civil-militar, e para isso planejaram suspender nossos direitos e garantias constitucionais com um estado de defesa, matar o presidente e o vice eleitos com tiro ou veneno, sequestrar e matar o ministro Alexandre de Morais, do STF, talvez enforcado, pelas razões que conhecemos.Não esquecer, neste caso, não é apenas recordar sempre, com palavras e atos. É identificar os que conceberam e planejaram o golpe, os que o financiaram e os que participaram como seu ativismo. Os integrantes da massa que foram presos naquele dia e levados para a Papuda já foram quase todos julgados e condenados. Agora esperamos pela denúncia dos “cabeças” pelo procurador-geral Paulo Gonet, e entre eles precisam estar Bolsonaro, os civis de seu grupo e os militares golpistas.
O golpe que eles planejaram não era para ser daquele jeito, mas isso não muda a essência das coisas: houve uma tentativa de golpe. Ao longo de dezembro de 2022 eles foram esquentando o ambiente com arruaças em Brasília no dia da diplomação de Lula e até com a explosão de uma bomba, o que foi impedido a tempo pela polícia. Em algum momento haveria a “hora de agir”, como disse aquele ansioso general Mario Fernandes. Em defesa da ordem e da segurança ameaçadas, Bolsonaro decretaria a GLO, os militares poriam tanques e tropas na rua, e o grupo da operação Punhal Verde e Amarelo sairia matando as autoridades indesejáveis, como Lula, Alckmin e Alexandre de Morais. O ministro Gilmar Mendes esteve na lista e dela foi tirado por Bolsonaro, o que não diz nada contra o ministro mas prova o envolvimento do ex-presidente na trama.
Não vamos esquecer o golpe derrotado, mas devemos nos lembrar também de que a extrema direita continua ativa aqui por aqui, e está em ascensão no mundo. Nos próximos dois anos eles estarão se preparando para tentar a retomada da Presidência e para eleger a maioria dos deputados e, principalmente, dos senadores. Para o lugar do inelegível Bolsonaro estão testando alguns nomes: Tarcísio, Caiado, Pablo Marçal e agora Gusttavo Lima.













