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Vivo demite 21 técnicos e terceiriza totalmente rede externa

01/08/2018 - 16h03 - Sinttel-ES - Redação
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Matéria atualizada às 19h11min.

Trabalhador demitido.  Imagem do desolamento registrada pelo diretor do Sinttel-ES

Depois de muitas semanas de céu aberto e sol, a capital do ES, Vitória, amanheceu nublada. O tempo também fechou para 21 técnicos reparadores e instaladores empregados da  Operadora Vivo, demitidos em massa na manhã desta quarta-feira, 01/08.

A empresa extinguiu seu setor de atendimento aos clientes para reparos e instalações terceirizando todos os trabalhadores que atendem à rede externa da operadora.Estas demissões representam os 10% de trabalhadores que ainda faziam parte da empresa, oriundos da antiga GVT, empresa anexada ao grupo Vivo no final de 2016.

Os diretores do Sinttel-ES, Vanderlei Rodrigues da Vitória e Alessandro Mamedi estiveram na sede da empresa, em Vitória e conversaram com os trabalhadores que estavam surpresos com as demissões em massa e terceirização de todo o setor onde eles trabalhavam.

Foram 21 dispensas sem justa causa, mas 5 trabalhadores (um é cipeiro e 4 estão afastados) ainda serão demitidos. Sobraram apenas 5 supervisores. Desse total dos demitidos, dois empregados nem terão direito ao seguro-desemprego porque haviam sido contratados a menos de 3 meses. Eles pediram demissão da Hallen, outra terceirizada, e foram para a Vivo, atendendo a um convite da própria Operadora. Agora, estão desempregados e sem garantia social.

Segundo o gerente de operações da Vivo no Estado, Luiz Cláudio Pinto da Silva “as demissões foram pontuais e fazem parte de uma mudança estrutural que foi iniciada no ano passado”. Luiz ainda ponderou, quando Mamedi conversou com ele, dizendo que as vendas estão aumentando e os parceiros da empresa (empresas prestadoras de serviço) estão contratando técnicos no mercado e que o compromisso dessas terceirizadas é aumentar mensalmente a escalabilidade em 15%.

Para minimizar os efeitos da demissão, neste momento de grande desemprego no país, o argumento da Vivo é que os técnicos, ora demitidos, tem grandes chances de serem aproveitados pelas empresas prestadoras de serviço – leia-se MR-Tel que já presta serviços à Operadora – e que a Vivo vem endossando a capacidade dessa força de trabalho, demitida hoje, junto a essas parceiras.

Ora, esse discurso esconde um único objetivo: aumentar o lucro, dispensando pais de família que irão trabalhar numa terceirizada que os pagará a metade do salário que recebiam, para fazer o mesmo trabalho que faziam antes de serem demitidos. É a terceirização que precariza as condições de trabalho e promove o arrocho salarial. Agora agravada com a Reforma Trabalhista, em vigor desde novembro de 2017.

A Operadora também se aproveita das mudanças na legislação trabalhista para anunciar essa demissão em massa, sem ter que negociar com o Sindicato os critérios das dispensas e garantias para os empregados.

O que os técnicos estão perdendo?

Na vivo

O trabalhador primarizado, empregado direto na Vivo, recebe um salário de R$ 1.112,00, mais 30% de adicional de periculosidade. Tem benefícios como Plano de Saúde familiar e odontológico, Participação nos Lucros e Resultados (PPR) e tíquete-alimentação que varia de R$ 950 a R$ 1.018,00/mês, sendo uma parte como cesta básica e o restante em tíquete-alimentação. Recebe pelo aluguel R$ 1.280,00  pelo veículo que loca para a empresa (a Vivo exige ter carro para ser técnico). Não há excesso de jornada e as folgas são respeitadas. A empresa tem Convenção Coletiva com os Sindicatos nas mesmas condições em todo o país, o que garante reajustes anuais nos salários, benefícios e bônus da Participação nos Resultados.

O que os técnicos vão enfrentar se foram contratados numa gata?

Na MR-Tel, por exemplo

O salário do técnico na MR-Tel, para quem a Vivo recomenda os técnicos demitidos, é de R$ 1.090,00 mais 30% de adicional de periculosidade. Não tem benefícios como plano de saúde, PPR, Produção. O auxílio-alimentação é de R450,00. O que os trabalhadores cotidianamente ganham nessa empresa prestadora é excesso de jornada, excesso de horas extras. Um técnico nessa empresa contou que trabalha 12 dias para obter uma folga. Daí ele trabalha mais 12 para folgar 2 dias seguidos. A empresa não tem acordo ou convenção coletiva com o Sindicato que dê garantias aos trabalhadores dos direitos trabalhistas, como o reajuste anual, do tíquete e outros.

Veja as fotos dessa manhã cinzenta:

 

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